Casa de Hóspedes
Situada no coração de Viana do Castelo, num edifício centenário de três pisos e três frentes; com espaços que se abrem para a Praça da República, para o Museu do Traje e templo de Santa Luzia surge uma casa de hóspedes acolhedora, personalizada, familiar e íntima.

Bem-estar
Uma área ampla com um jardim, uma piscina e um espaço de apoio a atividades de relaxamento, bem-estar e eventos.

Galeria de arte
Exposições regulares de artistas locais, nacionais e internacionais.

Artigos
Artigos encomendados e realizados em parceria com artistas e artesãos locais. Produzidos em distintos materiais e técnicas artesanais, novas abordagens às mesmas e artigos de autor.

Eventos
Programação de concertos, performance, cursos, jantares, tertúlias, cinema, etc. abertos ao público geral.

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Anfitriões

Os anfitriões da Dona Emília Casa de Hóspedes de Viana do Castelo são um casal de criativos e aventureiros, ambos naturais de Viana do Castelo. Nuno Freitas (arquiteto e neto da Dona Emília) é o responsável pelo plano de decoração, de restauro e de criação de novas peças de mobiliário. Rute Esteves (performer e educadora) tem pensada a dinâmica da casa e os aspectos ligados ao atendimento, conforto e bem-estar dos hóspedes e visitantes. 

O projecto contou ainda com as colaborações da Loja Laranja Mobiliário | Möbel e da Noía na criação de novas peças de mobiliário; da OCR (Oficina de Conservação e Restauro) no restauro de algumas peças de mobiliário; e do projecto Gur e a sua abordagem contemporânea aos tradicionais tapetes de trapos portugueses. Estas são parcerias que se enquadram na vontade de gerar distintas formas de diálogo entre pessoas e estimular a integração entre o visitante e a comunidade para a qual contribuirão também as iniciativas e eventos ligados à promoção do bem-estar e as actividades de apoio ao desenvolvimento artístico e cultural da cidade.

Nuno Freitas e Rute Esteves são companheiros de corpo e coração e durante muitos anos viveram fora da sua cidade natal para se formarem e trabalharem em arquitectura e em artes performativas, ingredientes perfeitos para se tornarem anfitriões especiais e sensíveis às relações humanas e ao desenvolvimento artístico e cultural onde estão inseridos. Ambos adquiriram experiência em turismo urbano em Barcelona e no Porto e, durante os últimos três anos, implementaram a decoração e geriram a Casa dos Carvalhais, um empreendimento de turismo rural perto do Gerês. Neste contexto turístico rural desenvolveram o projecto Amor Cruzado, um programa de residências artísticas e partilha entre artesãos e artistas, onde se cruzaram técnicas tradicionais com técnicas contemporâneas.

Este percurso vem nutrir o novo projecto da Dona Emília Casa de Hóspedes, no âmbito do qual pretendem expandir a experiência adquirida e iniciar novas aventuras.

Dona Emília 

A ideia do nome é inspirada nas histórias de vida da Dona Emília Freitas e da vontade dos anfitriões Nuno Freitas e Rute Esteves de prestar uma homenagem em vida a esta mulher.

A Dona Emília nasceu em Ponte de Lima, filha de Júlia Marinho e Alfredo da Silva. Ainda na sua infância, os pais e mais quatro irmãos vieram viver para Viana do Castelo, tendo ficado órfã de pai muito cedo.

Na sua meninice e juventude, as brincadeiras, irreverência e boa disposição da “Milinha” irradiavam alegria entre a família e os vizinhos. Mas foi sobretudo no fado – cantando os fadistas seus contemporâneos – que encontrou a forma mais eloquente de exprimir os seus sentimentos e emoções, ora a sua alegria ora os seus desencantos. Sempre jovial, participou em revistas promovidas pelas associações culturais e humanitárias da cidade, incentivada por Salvato Feijó.  

Casou com António Freitas, o seu “Toninho”, em 1954 e teve três filhos, “três amores”. Cozinheira exímia na gastronomia regional, costureira e modista, foi uma excelente administradora na gestão doméstica. Para além do governo da casa e da educação dos filhos, alugou quartos durante vários anos a diversos empregados do comércio e profissões liberais que passaram a ser considerados como família.

Tendo nascido em 1927, viveu grande parte da sua vida sob a ditadura que combateu, fazendo de sua casa um abrigo para resistentes e baluarte pela igualdade de direitos das mulheres.

Tem transmitido aos filhos, aos netos e aos bisnetos os valores da família, da solidariedade social, da democracia e da liberdade. Na sua casa junto ao Jardim sempre acolheu as gerações mais novas.

A caminho dos 89 anos, continua a exprimir a sua verdadeira alma, repetindo e cantando o poema que melhor a define:

 Cantarei até que a voz me doa

Pra cantar, cantar sempre meu fado

Como a ave que tão alto voa

E é livre de cantar em qualquer lado

 

Cantarei até que a voz me doa

Ao meu país, à minha terra, à minha gente

À saudade e à tristeza que magoa

O amor de quem ama e morre ausente

 

Cantarei até que a voz me doa

Ao amor, à paz cheia de esperança

Ao sorriso e à alegria da criança

Cantarei até que a voz me doa

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Fotografia de Cristina Pinto e Pinto